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Ansiedade com a Volta às Aulas: o que a Neurociência do Desenvolvimento nos ensina


Quando a volta às aulas vira um desafio emocional


Para muitas crianças e adolescentes, a volta às aulas não vem acompanhada apenas de cadernos novos e reencontros. Ela pode trazer ansiedade, insegurança, irritabilidade, dores físicas sem causa aparente e até resistência intensa em ir à escola.


Do ponto de vista da saúde mental, isso não é frescura, birra ou falta de limites. A neurociência do desenvolvimento mostra que a ansiedade escolar é, muitas vezes, uma resposta do sistema nervoso a mudanças, separações e demandas emocionais que excedem a capacidade de regulação naquele momento.


Autores como Daniel J. Siegel, Bruce D. Perry e Stephen Porges ajudam a compreender o que está acontecendo no cérebro e no corpo durante esse período.

 

Por que a volta às aulas pode gerar ansiedade?


A volta às aulas envolve múltiplos fatores estressores:


  • Separação das figuras de apego;

  • Mudança de rotina;

  • Exigências sociais e acadêmicas e

  • Medo de errar, não se encaixar ou não dar conta.


Segundo Bruce D. Perry, o cérebro infantil é altamente sensível ao contexto. Quando uma situação é percebida como ameaçadora, mesmo que simbolicamente, o cérebro prioriza a sobrevivência e não a aprendizagem. Ou seja: uma criança ansiosa não está desobedecendo, está tentando se proteger.

 

O cérebro em desenvolvimento e a ansiedade


Daniel J. Siegel destaca que o desenvolvimento saudável depende da integração entre emoções, corpo, pensamentos e relações. Na volta às aulas, muitas crianças ainda não possuem maturidade neurológica suficiente para:


  • nomear o que sentem;

  • regular emoções intensas e

  • tolerar frustrações e separações.


Quando essa integração falha temporariamente, surgem sinais como:


  • choro excessivo;

  • irritabilidade;

  • dificuldade de concentração e

  • regressões comportamentais.


Siegel reforça: comportamento é comunicação. A ansiedade é um sinal de que o sistema nervoso precisa de corregulação, não de punição.

 

A Teoria Polivagal e a ansiedade escolar


Stephen Porges, com a Teoria Polivagal, amplia a compreensão da ansiedade ao explicar que o sistema nervoso reage de acordo com a sensação de segurança ou ameaça. Na volta às aulas, muitas crianças entram em estados de:


  • hiperativação (ansiedade, agitação, medo) ou

  • desligamento (apatia, retraimento, silêncio excessivo).


Esses estados não são escolhas conscientes. São respostas automáticas do sistema nervoso autônomo. Ambientes escolares pouco previsíveis, relações inseguras ou expectativas muito altas podem manter a criança em estado de alerta constante, dificultando o aprendizado e o bem-estar emocional.

 

Quando a ansiedade interfere no aprendizado


“Um cérebro em estado de ameaça não aprende.”

(Bruce D. Perry)


Antes de exigir desempenho, o cérebro precisa sentir:


  • previsibilidade;

  • vínculo e

  • segurança emocional.


Quando a ansiedade com a volta às aulas não é reconhecida, ela pode se manifestar como:


  • queda no rendimento escolar;

  • dificuldades de memória e atenção e

  • sintomas físicos recorrentes (dor de barriga, dor de cabeça.


Cuidar da saúde mental infantil é condição básica para o processo educativo.

 

Como apoiar crianças e adolescentes nesse período?


Do ponto de vista da saúde mental integrada, algumas atitudes fazem diferença:


  • Validar emoções (“eu vejo que isso está difícil”);

  • Manter rotinas previsíveis;

  • Evitar minimizar o sofrimento;

  • Estar emocionalmente disponível e

  • Buscar apoio profissional quando necessário.


Psicoterapia infantil e acompanhamento especializado ajudam a:


  • fortalecer a autorregulação emocional;

  • ampliar recursos internos e

  • reduzir sintomas de ansiedade escolar.

 

Quando procurar ajuda profissional?


É importante buscar avaliação quando a ansiedade:

  • persiste por semanas;

  • interfere no sono, alimentação ou aprendizagem e

  • gera sofrimento intenso na criança e na família.


Cuidar cedo evita que a ansiedade se cristalize e acompanhe a criança ao longo da vida escolar.


A ansiedade não é fraqueza, é sinal!


A ansiedade com a volta às aulas é um pedido de ajuda do sistema nervoso. Compreender esse processo à luz da neurociência muda a forma como adultos respondem: com mais empatia, menos julgamento e mais eficácia.


“Saúde mental também se aprende. E começa quando alguém se sente seguro para aprender.”

 
 
 

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