Ansiedade com a Volta às Aulas: o que a Neurociência do Desenvolvimento nos ensina
- Neuroflow Programa de Psiconeuronutrição
- há 6 dias
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Quando a volta às aulas vira um desafio emocional
Para muitas crianças e adolescentes, a volta às aulas não vem acompanhada apenas de cadernos novos e reencontros. Ela pode trazer ansiedade, insegurança, irritabilidade, dores físicas sem causa aparente e até resistência intensa em ir à escola.
Do ponto de vista da saúde mental, isso não é frescura, birra ou falta de limites. A neurociência do desenvolvimento mostra que a ansiedade escolar é, muitas vezes, uma resposta do sistema nervoso a mudanças, separações e demandas emocionais que excedem a capacidade de regulação naquele momento.
Autores como Daniel J. Siegel, Bruce D. Perry e Stephen Porges ajudam a compreender o que está acontecendo no cérebro e no corpo durante esse período.
Por que a volta às aulas pode gerar ansiedade?
A volta às aulas envolve múltiplos fatores estressores:
Separação das figuras de apego;
Mudança de rotina;
Exigências sociais e acadêmicas e
Medo de errar, não se encaixar ou não dar conta.
Segundo Bruce D. Perry, o cérebro infantil é altamente sensível ao contexto. Quando uma situação é percebida como ameaçadora, mesmo que simbolicamente, o cérebro prioriza a sobrevivência e não a aprendizagem. Ou seja: uma criança ansiosa não está desobedecendo, está tentando se proteger.
O cérebro em desenvolvimento e a ansiedade
Daniel J. Siegel destaca que o desenvolvimento saudável depende da integração entre emoções, corpo, pensamentos e relações. Na volta às aulas, muitas crianças ainda não possuem maturidade neurológica suficiente para:
nomear o que sentem;
regular emoções intensas e
tolerar frustrações e separações.
Quando essa integração falha temporariamente, surgem sinais como:
choro excessivo;
irritabilidade;
dificuldade de concentração e
regressões comportamentais.
Siegel reforça: comportamento é comunicação. A ansiedade é um sinal de que o sistema nervoso precisa de corregulação, não de punição.
A Teoria Polivagal e a ansiedade escolar
Stephen Porges, com a Teoria Polivagal, amplia a compreensão da ansiedade ao explicar que o sistema nervoso reage de acordo com a sensação de segurança ou ameaça. Na volta às aulas, muitas crianças entram em estados de:
hiperativação (ansiedade, agitação, medo) ou
desligamento (apatia, retraimento, silêncio excessivo).
Esses estados não são escolhas conscientes. São respostas automáticas do sistema nervoso autônomo. Ambientes escolares pouco previsíveis, relações inseguras ou expectativas muito altas podem manter a criança em estado de alerta constante, dificultando o aprendizado e o bem-estar emocional.
Quando a ansiedade interfere no aprendizado
“Um cérebro em estado de ameaça não aprende.”
(Bruce D. Perry)
Antes de exigir desempenho, o cérebro precisa sentir:
previsibilidade;
vínculo e
segurança emocional.
Quando a ansiedade com a volta às aulas não é reconhecida, ela pode se manifestar como:
queda no rendimento escolar;
dificuldades de memória e atenção e
sintomas físicos recorrentes (dor de barriga, dor de cabeça.
Cuidar da saúde mental infantil é condição básica para o processo educativo.
Como apoiar crianças e adolescentes nesse período?
Do ponto de vista da saúde mental integrada, algumas atitudes fazem diferença:
Validar emoções (“eu vejo que isso está difícil”);
Manter rotinas previsíveis;
Evitar minimizar o sofrimento;
Estar emocionalmente disponível e
Buscar apoio profissional quando necessário.
Psicoterapia infantil e acompanhamento especializado ajudam a:
fortalecer a autorregulação emocional;
ampliar recursos internos e
reduzir sintomas de ansiedade escolar.
Quando procurar ajuda profissional?
É importante buscar avaliação quando a ansiedade:
persiste por semanas;
interfere no sono, alimentação ou aprendizagem e
gera sofrimento intenso na criança e na família.
Cuidar cedo evita que a ansiedade se cristalize e acompanhe a criança ao longo da vida escolar.
A ansiedade não é fraqueza, é sinal!
A ansiedade com a volta às aulas é um pedido de ajuda do sistema nervoso. Compreender esse processo à luz da neurociência muda a forma como adultos respondem: com mais empatia, menos julgamento e mais eficácia.
“Saúde mental também se aprende. E começa quando alguém se sente seguro para aprender.”









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