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TDAH: uma compreensão neurobiológica, relacional e regulatória


O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vai muito além da desatenção ou da hiperatividade. Precisamos compreender o TDAH enquanto uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro, à regulação do sistema nervoso e às experiências relacionais ao longo da vida.


Essa perspectiva amplia o olhar clínico, reduz estigmas e favorece intervenções mais humanas e integradas.


O desenvolvimento cerebral e o TDAH


Bruce D. Perry enfatiza que o cérebro se organiza de forma sequencial, dependente da experiência e do ambiente. As funções executivas: atenção sustentada, planejamento e controle inibitório, amadurecem a partir de experiências repetidas de segurança, previsibilidade e co-regulação.


Em contextos de estresse crônico, trauma relacional ou ambientes pouco reguladores, o sistema nervoso tende a se organizar em modos de sobrevivência. Isso pode impactar diretamente a capacidade de atenção, autorregulação emocional e controle comportamental, frequentemente observadas em quadros de TDAH.


Integração cerebral, consciência e atenção


Daniel J. Siegel propõe que saúde mental é resultado da integração entre cérebro, mente e relações. No TDAH, observam-se dificuldades na integração entre emoção, cognição e sensações corporais, o que pode gerar impulsividade, distração e desorganização interna.

Intervenções que favorecem:


  • consciência dos estados internos,


  • nomeação das emoções e


  • práticas de atenção plena


contribuem para maior organização neural e ampliação da capacidade atencional.

 

Teoria Polivagal: o sistema nervoso no centro da atenção


Stephen Porges, por meio da Teoria Polivagal, ajuda a compreender o TDAH como uma expressão de dificuldades na regulação do sistema nervoso autônomo. Estados de hiperatividade, inquietação ou dispersão podem indicar que o organismo está em modo de alerta ou defesa, e não em estado de segurança.


A atenção sustentada depende de um sistema nervoso regulado. Portanto, promover segurança (relacional e fisiológica) é um eixo central do cuidado.


Neurofeedback e TDAH: aprendendo a autorregular o cérebro


Dentro dessa compreensão regulatória, o neurofeedback surge como uma intervenção complementar promissora no cuidado com o TDAH.


O neurofeedback é um método de treinamento cerebral baseado em feedback em tempo real da atividade elétrica do cérebro (EEG). A pessoa aprende, gradualmente, a reconhecer e modificar padrões neurais associados à desatenção, impulsividade ou hiperativação.


Como o neurofeedback pode ajudar no TDAH?


À luz dos autores citados:


  • Favorece a autorregulação do sistema nervoso, dialogando diretamente com a Teoria Polivagal (Porges);


  • Estimula a organização e integração neural, alinhando-se à proposta de Siegel;


  • Atua respeitando a plasticidade cerebral, conceito central em Perry.


Estudos indicam melhora em:


  • atenção sustentada,


  • controle inibitório,


  • regulação emocional e


  • redução da impulsividade.


Eticamente, é fundamental destacar que o neurofeedback não é uma “cura”, mas um recurso complementar, que deve integrar um plano terapêutico mais amplo, conduzido por profissionais qualificados.


Implicações clínicas éticas


Uma abordagem ética do TDAH inclui:


  • avaliação cuidadosa e individualizada;


  • integração entre psicoterapia, intervenções psicoeducativas e, quando indicado, medicação;


  • uso responsável do neurofeedback, com informações claras ao paciente e à família;


  • respeito à singularidade, ao desenvolvimento e à história relacional do sujeito.

 

Considerações finais


Compreender o TDAH a partir da neurociência relacional nos convida a substituir o olhar patologizante por uma visão mais compassiva:não se trata de falta de esforço, mas de um sistema nervoso que precisa aprender a se regular com mais segurança.


O neurofeedback, quando bem indicado e eticamente conduzido, pode ser um aliado importante nesse processo.


Referências

  • Siegel, D. J. (2010). Mindsight: The New Science of Personal Transformation.

  • Siegel, D. J. (2012). The Developing Mind.

  • Perry, B. D. (2006). Applying Principles of Neurodevelopment to Clinical Work with Maltreated and Traumatized Children.

  • Perry, B. D., & Szalavitz, M. (2017). O menino criado como um cachorro.

  • Porges, S. W. (2011). The Polyvagal Theory.

  • Arns, M., Heinrich, H., & Strehl, U. (2014). Evaluation of neurofeedback in ADHD. Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

  • Conselho Federal de Psicologia – orientações sobre práticas baseadas em evidências e ética profissional.

 
 
 

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